
Papel marmorizado e guardas
- 20 de mar.
- 2 min de leitura
Aqui tem registros da produção de
kits de guardas de um miolo c papel marmorizado, papel artesanal e um bifólio extra de papel comum que será descartado, usado para proteger o miolo no processo da encadernação. A técnica de marmoreio pode ser rastreada até o século 12 na China e no Japão, onde era conhecida como suminagashi e usada para tingir tecidos e fazer papel de papelaria. Só no século 15, no Oriente Médio islâmico, o marmoreio se tornou uma arte do papel associada principalmente à caligrafia e aos manuscritos iluminados
— a tradição turca, chamada ebru, permanece viva até hoje. Os primeiros papéis marmorizados produzidos na Europa foram provavelmente feitos no início do século 17 na Alemanha, que já tinha um comércio ativo de papel decorado. Foram os franceses os primeiros na Europa a usar papel marmorizado como guarda-livros (endpapers), papéis colados nas pastas para decorar a encadernação.
Do século 16 ao 19, o marmoreio de papel tornou-se parte importante da encadernação europeia, especialmente durante a idade de ouro da encadernação francesa. O processo técnico vinha diretamente da tradição turca: tintas flutuando sobre uma base de água engrossada (size), manipuladas com pentes e estiletes, transferidas ao papel tratado com alúmen.
Os marblers formavam guildas separadas das guildas de encadernadores, e eram notoriamente secretos sobre seus métodos — até que Charles W. Woolnough publicou The Art of Paper Marbling em 1853, revelando anos de segredos. O século 19 foi o pico da indústria do marmoreio — mas também viu seu rápido declínio, à
medida que a mecanização transformou a produção de livros, e encadernações mais baratas em tecido substituíram o trabalho artesanal.
Papel marmorizado é quase uma
resistência ao tempo. Lindo e carregado de história.











